Levar ações do CRESS-MG para o interior é objetivo central da atual gestão

Publicado em 17/12/2020


Nuvem das principais palavras citadas durante a atividade de planejamento da gestão.

Empossada em maio deste ano, a atual gestão do CRESS-MG, “Unidade na luta para resistir e avançar” (2020-2023), formada por assistentes sociais militantes e eleitas e eleitos pela categoria, começou o mandato com o desafio de gerir uma entidade em plena crise pandêmica.

Na última semana, de 10 a 12 de dezembro, conselheiras e conselheiros da Sede, em Belo Horizonte, e das Seccionais Juiz de Fora, Montes Claros e Uberlândia, se reuniram com parte da equipe de trabalho para realizar o planejamento dos próximos anos. 

A atividade intitulada “Planejamento e gestão democrática na Administração Pública" se iniciou com a fala do assistente social e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora  (UFJF), Rodrigo de Souza Filho, que fez provocações relevantes a partir de conceitos basilares da administração.

Com este pontapé inicial, foi possível refletir sobre a responsabilidade e desafios de gerir uma autarquia pública, como é o caso do Conselho, que, mesmo inserida no sistema capitalista, representa uma profissão que defende direitos da população, como observa a diretora da Seccional Montes Claros, Noêmia Lopes.

“Toda gestão precisa ser construída de forma planejada. Sua elaboração, monitoramento e avaliação fazem parte desse processo, assim como dar a direção administrativa e política. Defendemos princípios como a democracia, os direitos da classe trabalhadora, a equidade e os serviços prestados com qualidade, dentre outros princípios éticos os quais nos orientam”.

Estas particularidades, segundo a assistente social, dão às gestões do CRESS-MG um caráter de coletivo que vai além dos moldes convencionais do que se entende por autarquia. “O compromisso, neste caso, é com uma boa administração da entidade, a fim de defender, orientar e fiscalizar a profissão que legitimou este lugar que ocupamos”, acrescenta.

Colocando os planos em prática

A atividade, coordenada pelo conselheiro Leonardo Koury, foi o momento de elencar as prioridades da gestão e traçar as formas de colocá-las em prática, considerando as propostas trazidas pela carta-programa durante as eleições e a síntese da Plenária Nacional do Conjunto CFESS-CRESS, realizada virtualmente, no mês de outubro. Destaca-se, entre elas, a necessidade de interiorização, ou seja, levar para todas as partes de Minas Gerais, os debates de interesse do Serviço Social brasileiro. 

Relembre, aqui, a carta-programa da atual gestão enquanto concorria às eleições.

Com a pandemia, foi preciso criatividade para materializar os planos e paciência para lidar com as limitações que a conjuntura tem trazido. Mesmo com a impossibilidade de promover ações presenciais, o CRESS tem atuado por meio do atendimento remoto e promovido diversos eventos e reuniões online da gestão e das comissões, como explica a conselheira Daniella Lopes.

“Nestes primeiros sete meses de mandato, temos trabalhado muito no sentido de unificar Sede e Seccionais e, assim, ampliar a nossa aproximação com a categoria, propondo reflexões especialmente sobre as questões e condições éticas e técnicas do trabalho profissional neste contexto de desmontes de direitos e de emergência em saúde pública.”

Acesse aqui, todas as lives realizadas neste período.

Mais perto de você, assistente social


Integrantes da gestão e equipe de trabalho do CRESS-MG, residentes em diferentes partes de Minas Gerais, durante reunião de planejamento.

A necessidade de estar mais próximo da categoria profissional é um desafio constante do CRESS-MG, uma vez que o estado de Minas Gerais com seus 853 municípios, tem grandes dimensões geográficas e uma enorme diversidade cultural e social. Na atual gestão, esta aproximação é prioridade e foi destacada na reunião de planejamento.

Entre os aspectos para efetivá-la, estão a necessidade de intensificar as ações de orientação e fiscalização do exercício profissional, principal papel do Conselho, assim como de fortalecer os Núcleos de Assistentes Sociais (NAS) ativos, uma vez que são importantes espaços de articulação e trocas de experiências entre as e os profissionais.

A unidade das agendas da Sede e Seccionais, assim como o diálogo com as Unidades de Formação Acadêmica (Ufas) e ainda a ampliação das atividades relacionadas ao Setor de Comunicação foram outros pontos citados e que se relacionam com a proposta de se aproximar das e dos assistentes sociais do estado. 

Descentralização e continuidade

A atual diretoria do CRESS-MG é composta por assistentes sociais de dentro e de fora de Belo Horizonte. Essa aposta ousada – tendo em vista que as reuniões acontecem na capital mineira, foi iniciada pela gestão anterior (2017-2020) e tem permitido uma visão mais ampla e concreta da importância de descentralizar as ações do Conselho.

Entretanto, para cumprir com esta e tantas outras propostas, as conselheiras e conselheiros do mandato anterior tiveram que lidar com outro desafio, como conta a presidenta reeleita, Julia Restori, que atua como assistente social na Prefeitura Municipal de Ipatinga. 

“Foi necessário um esforço gigantesco para superar o déficit financeiro e o alto índice de inadimplência herdado pela gestão que nos antecedeu. Foram momentos difíceis que exigiram responsabilidade no trato da gestão de uma autarquia pública, mas o esforço coletivo teve um resultado positivo. Entregamos para a atual gestão, um Conselho com superávit financeiro e a implementação de uma série de ações que nos aproximam da categoria, através da priorização do processo de interiorização e do investimento no Setor de Comunicação.”

Julia reforça, ainda, que mesmo com as dificuldades financeiras, a gestão 2017-2020 conseguiu realizar a orientação e fiscalização do exercício profissional, principal função do CRESS. Sobre os três dias dedicados ao planejamento, ela avalia: “Esta é uma estratégia importante e necessária para alinharmos os nossos posicionamentos políticos, a defesa da nossa profissão e a garantia de ações da nossa função precípua”, e acrescenta:

“Vivemos momentos difíceis em face da pandemia e ter um espaço para democraticamente dialogarmos sobre o nosso planejamento nos revigora para seguirmos na luta e fortalecermos a cada dia o CRESS, na perspectiva de defesa da profissão e do nosso projeto ético e político!"

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