Educação e Emancipação Humana em pauta

Publicado em 12/07/2016

O tema “Educação e Emancipação Humana” foi destaque da Roda de Conversa com o professor Ivo Tonet, promovida pelo CRESS-MG no dia 5/7, em Belo Horizonte. O evento foi organizado pela Comissão de Serviço Social na Educação, representada pela conselheira Simone Gomes, que destacou a defesa da perspectiva emancipatória da educação. “O debate reforça a necessidade de se gerar reflexões a partir desse viés”, destacou.
 
 
A partir de um resgate histórico, Ivo Tonet iniciou sua fala contextualizando a situação atual da humanidade que, segundo ele, vive uma “crise estrutural que abarca todas as dimensões da atividade humana”, tendo como essência o avanço da tecnologia e o recuo do capital humano. Sob a perspectiva da lógica do capital, o professor destacou ainda a situação paradoxal que vivemos hoje, em que há uma capacidade astronômica de se produzir uma riqueza que não pode ser distribuída para todos.
 
“O avanço brutal do capital está destroçando todos os direitos adquiridos e as melhorias pelas quais a classe trabalhadora vinha, com muito custo, lutando há muito tempo. Do outro lado, dos trabalhadores, não vemos grandes avanços, mas sim uma resistência, muitas vezes de recuo, com perdas de direitos. Por que houve o rebaixamento da consciência da classe trabalhadora e do pensamento revolucionário?”. Com essa pergunta, Ivo Tonet trouxe ao público a reflexão de como o contexto atual se reflete diretamente nos conceitos e na prática da educação e da emancipação humana. 
 
 
A importância do conceito
Saber o real significado do termo “emancipação humana” é um ponto de extrema relevância para a compreensão do debate sobre o tema no contexto da educação. De acordo com Ivo Tonet, muitas pessoas confundem a emancipação humana com a emancipação política, que é uma categoria do sistema capitalista. “Quando falamos em emancipação, pensamos logo em liberdade. Mas a história da emancipação da humanidade se deu primeiro em relação à natureza, na época das cavernas, e chegou a seu termo com a revolução industrial, com a explosão das capacidades humanas, para que entre em cena a maquinaria. Mas quando Marx fala de emancipação humana, refere-se a uma forma específica de sociabilidade, que permite a autorrealização do indivíduo”, afirmou o professor. 
 
Educação e Emancipação Humana
Sob o ponto de vista de que é preciso superar o modo de pensar capitalista, reforçado diversas vezes durante a palestra, Ivo Tonet citou o fato recente da fusão da Kroton e da Estácio, negócio que uniu as operações da líder e da vice-líder do setor educacional no Brasil. “É uma mina de ouro para ganhar dinheiro. No capitalismo, educação se torna mercadoria”, criticou o professor. Sendo assim, a privatização, a flexibilização e a intensificação do trabalho docente estão presentes no processo educativo, mas será possível se opor a isto?
 
De acordo com Ivo Tonet, o problema que assistimos na educação hoje não é metodológico, mas sim por ser uma educação formal que é organizada pelo estado, tanto na estrutura física como em termos de conteúdos ideológicos e das diversas matérias. “Para os conservadores, é preciso adequar a educação aos novos tempos. A educação como era feita ha 50 anos não serve mais, é preciso preparar melhor a mão de obra. Não é difícil de ver isso, pois nesta sociedade a educação tem três objetivos: preparar força de trabalho, produzir cidadãos e preparar os dirigentes. Não é possível uma outra política educacional, a não ser que seja possível um outro estado ou que se pense que é possível humanizar o capital”, lamentou.
 
 
Mesmo apresentando referências e teorias que indicam o posicionamento de que “não é possível, no sistema capitalista, ter uma educação formal que se conecte com a emancipação humana”, Ivo Tonet destacou a importância de implantar atividades emancipadoras, pelo caráter multiplicador dessas iniciativas. “Quando há a compreensão de que uma outra sociedade é possível, as pessoas podem se engajar nesta luta. Isso vale para a Educação e para o Serviço Social. A primeira coisa que a/o assistente social tem que ter é essa teorização na cabeça, senão irá fazer um trabalho idealista, com palavras bonitas, e não vai atingir o público específico. Não há receita de bolo, cada um vai descobrindo como fazer. A possibilidade de construir uma nova forma de sociabilidade, autenticamente humana, é grande”, finalizou Ivo Tonet.
 
Dicas do Ivo Tonet
Quer se aprofundar mais no conteúdo? Veja a lista de livros de autoria do professor Ivo Tonet, indicada durante a palestra:
 
– O grande ausente
– O grande ausente e os problemas da educação
– Atividades educativas emancipadoras
– Qual política social para qual emancipação?
 

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