Em defesa do SUS

Publicado em 20/06/2016

Foto: reprodução da página oficial do OcupaSUS-MG
 
“Ocupar, lutar, resistir e produzir”. É com este lema que o OcupaSUS-MG reúne trabalhadores e militantes da área da saúde, gestores, intelectuais, políticos e usuários do SUS na ocupação sediada no prédio da sede do Ministério da Saúde, em Belo Horizonte. Como parte de um movimento nacional contra o golpe parlamentar e o desmonte do SUS, que vem sendo comandado pelo governo ilegítimo de Michel Temer, o OcupaSUS-MG teve início no dia 3 de junho e vem se fortalecendo como um espaço de intensa luta política de resistência do povo brasileiro.
 
De acordo com Kleber Rangel Silva, diretor de Vigilância de Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis, da Secretaria Estadual de Saúde, o OcupaSUS é constituído por um grande número de pessoas que se responsabilizam pelo espaço. “Além de debates relacionados à luta sindical, é também um local em que temos dialogado constantemente com outros movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos Por Barragens e o Movimento dos Sem Terra. Um dos nossos maiores desafios, após mais de duas semanas, é colocar força em outros pontos, para que consigamos realizar mobilizações de rua, em locais de grande circulação da cidade, e construir com a população uma narrativa comum, que fortaleça nossa luta em defesa do SUS e da democracia”, afirma Kleber.
 
O início
 
Na semana do dia 3 de junho, aconteciam em todo o Brasil ações de denúncia sobre as ameaças às políticas públicas, principalmente no âmbito da saúde, em todo o Brasil. Paralelamente, em Brasília, ocorria a reunião do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) com o atual ministro da Saúde. Diante desse contexto, movimentos sociais, entidades sindicais, centrais e trabalhadores formularam a proposta da ocupação, que se deu após uma manifestação na Praça Sete, em Belo Horizonte.
 
“A ocupação acontece na articulação dessas forças de esquerda, progressistas, dentro das frentes. Todo esse movimento que vem acontecendo no país, de ataques, de retrocesso, e de uma ofensiva maior da direita e do neoliberalismo faz também com que esses movimentos se unifiquem”, explica Beatriz Carvalho, nutricionista, trabalhadora da saúde e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas.
 
A decisão surgiu também da observação de diversas ações do governo em outros segmentos como educação, previdência social, cultura e direitos das mulheres, povos indígenas, proteção ambiental e comunidade LGBT. “A partir da avaliação, via DIEESE, de 500 projetos que estavam tramitando no Congresso Federal, e que afetariam a vida dos trabalhadores com perdas de direitos trabalhistas e sociais, além do desmonte do SUS, vimos que era muito importante fazer uma denúncia perante a população e aprofundar a discussão”, argumenta Renato Barros, diretor do Sind-Saúde e conselheiro estadual e nacional de Saúde.
 
Foto: reprodução da página oficial do OcupaSUS-MG
 
Atividades
 
Apesar do desafio de manter a ocupação, considerando as questões logísticas de refeições, segurança e circulação de pessoas, o espaço tem tido uma programação diária intensa, com atividades políticas e culturais. Para a assistente social Andreza Almeida Fernandes Alves, integrante da Comissão de Saúde do CRESS-MG e representante do Conselho no Conselho Estadual de Saúde, a diversidade é a principal característica do OcupaSUS-MG. Ela destaca o dia 10 de junho, data em que aconteceu uma manifestação nacional “Fora Temer”, como um exemplo disso: “Para mim, foi o ápice da ocupação, pois recebemos movimentos de várias regiões, como o MST e lideranças indígenas, em um momento em que todos se encontram em uma mesma luta. Cerca de 300 chegaram ao prédio do Ministério da Saúde, pois encontraram no OcupaSUS-MG um ponto de apoio e foi muito interessante ver o poder do povo”.
Além disso, os debates realizados têm sido um processo rico e que possibilita a reflexão sobre a conjuntura tanto nacional quanto local. “A ocupação tem um significado de como a gente se manifesta concretamente, embora não saia na grande mídia, o que acontece aqui vai reverberando. O que tem acontecido aqui dentro tem sido muito rico: debates, planejamentos… Aqui é uma base onde discute e planeja, mas é necessário também levar tudo isso para fora, conversar com outras pessoas, os colegas da saúde, principalmente”, analisa Luzia Hanashiro, médica da rede da Prefeitura de Belo Horizonte.
 
Foto: reprodução da página oficial do OcupaSUS-MG
 
O SUS é de todos
 
Um dos principais desafios identificados pelos participantes do OcupaSUS-MG é a expansão do diálogo com a população, no sentido de conscientizar sobre a importância do SUS, que é um sistema utilizado por todos os brasileiros e os riscos do retrocesso imediato, que coloca um sistema que tem sido construído arduamente nos últimos 26 anos. “Batalhamos muito pela implantação e consolidação do SUS. Aos poucos conquistamos uma série de coisas, mas nunca foi fácil. De repente, quando já tínhamos avançado um tanto, e ainda teria muito para melhorar, se vê uma ameaça concreta do desmantelamento disso tudo”, destaca Luzia Hanashiro.
 
Segundo José Geraldo Martins, farmacêutico, coordenador de Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado da Saúde e militante da Saúde, a ocupação cumpre o papel de contrapor-se ao mundo cor de rosa que a mídia procura passar e fazer com que as pessoas conheçam o outro lado. “Quem está ocupando são pessoas que estão mais próximas da problemática do que a média da população. A nossa intenção ao fazer esse gesto é contrapor ao discurso hegemônico e mostrar que tem alguma coisa errada, que isso vai fazer com que as pessoas pensem”, afirma. Dessa forma, uma das frentes de atuação do OcupaSUS-MG é reforçar cada vez mais esse diálogo direto com a população, com o objetivo de conscientizar e dar destaque à conjuntura.
 
Fortaleça esta luta!
 
O CRESS-MG apoia o OcupaSUS-MG e convida os/as assistentes sociais de Minas Gerais a participarem e fortalecerem esta ação. Acompanhe os debates, informe a população e faça parte desta luta!
 
O OcupaSUS-MG fica na Rua Espírito Santo, 500 – Centro – Belo Horizonte.
 

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