Núcleo de Assistentes Sociais de Viçosa e Região – 10 anos de história

Publicado em 19/08/2014

Da necessidade de reconhecimento e valorização do Serviço Social na Zona da Mata, num contexto de mercado ainda muito restrito e disputado com outras categorias, é que se formava, no dia 19 de agosto de 2004, o Núcleo de Assistentes Sociais de Viçosa e Região ou, apenas, Nasvir.
 
Com o intuito de ter um espaço onde a categoria pudesse discutir e refletir sobre as dificuldades e limites da prática profissional, além de identificar as possibilidades nos campos de atuação e ampliar a visibilidade e intervenção do Serviço Social nas instituições públicas e privadas da região, é que assistente social, Maria Cândida Jannuzzi, primeira coordenadora local do Nasvir, propôs a criação do grupo. 
 
“A troca de experiência e a contínua apreensão e construção de saberes são fundamentais para a instrumentalização do profissional. Acredito, também, que o Nasvir contribuiu para a organização da categoria, promovendo mais visibilidade e participação política na região”, opina.
Naquela época, as reuniões buscavam ressignificar o modelo de intervenção conhecido, como explica Maria Cândida. “As práticas conservadoras apresentavam-se absolutamente questionáveis para o enfrentamento da questão social naquele tempo. Discutíamos principalmente sobrenosso papel na consolidação dos direitos sociais e sobre a valorização e reconhecimento da profissão”, comenta.
 
Qualquer tipo de organização coletiva requer um processo de envolvimento e amadurecimento, além de questões práticas e estruturais. Sobre os desafios dos primeiros três anos em que esteve na coordenação, Maria Cândida diz que havia vontade, mas também dificuldade de estipular prioridades em meio a tantas demandas.
 
“Buscávamos, além do estabelecimento de vínculos, o reconhecimento de uma rede de profissionais comprometida com a mudança. Mas, refletir, discutir e intervir na realidade fazendo partedela não é tarefa fácil. Passamos por esvaziamento do grupo, dificuldades de comunicação e sentimentos de impotência diante das questões sociais de que tratávamos no nosso dia a dia”, afirma.
 
Apesar das dificuldades, era evidente como o Núcleo, já em seus primeiros anos, contribuíra para o fortalecimento da categoria atuante no local, como afirma a primeira coordenadora. ”As discussões nos ajudaram a reconhecer a importância do nosso trabalho e da nossa causa. Ouso dizer que no campo do trabalho, o Núcleo tenha contribuído para uma conduta mais assertiva e ética e uma visão mais crítica em relação ao nosso papel profissional”, diz.  
 
Fortalecimento do Serviço Social na região 
 
Nesses últimos dez anos, o Nasvir tem sido um importante articulador para a defesa do Serviço Social na região, intermediando a promoção de cursos e eventos de capacitação profissional, como o Curso Ética em Moimento (2012), A Precarização da Política de Educação no País (2010) e a Oficina sobre a Legislação do Serviço Social (2014). 
 
A organização política da categoria, na conjuntura de precarização do trabalho e da formação profissional, torna-se essencial para o enfrentamento dos desafios postos pela realidade ao Serviço Social, como afirma uma das apoiadoras do Nasvir, a agente fiscal da Seccional Juiz de Fora, Nanci Lagioto.
 
“O contexto é adverso à implementação do Projeto-Ético Político do Serviço Social e, penso que o único caminho possível é a organização da categoria profissional, através dos seus órgãos representativos. Nos dizeres de José Paulo Netto, o enfrentamento dessa realidade ‘supõe mais vontade política organizada e menos ilusões otimistas”, pontua.
 
O incentivo à organização profissional e representatividade dos CRESS nas regiões, através dos NAS são estratégias fundamentais adotadas pelo Conjunto CFESS-CRESS, de fortalecimento e defesa da profissão do assistente social, como destaca Nanci, citando a professora de filosofia, Marilena Chauí.
 
“São nesses espaços de participação democrática que temos que usufruir da nossa liberdade enquanto ‘capacidade para darmos um sentido novo ao que parecia fatalidade, transformando a situação, de fato, numa realidade nova. É essa força transformadora que torna real o que era somente possível.”
 
Desafios e demandas hoje
Dez anos se passaram desde a criação do Nasvir e, nesse período, o Serviço Social se modificou, no âmbito do trabalho e da formação profissional, frente ao aprofundamento da política neoliberal e das novas formas de gestão do trabalho. 
 
De acordo com a agente fiscal Nanci, atualmente, as maiores questões apresentadas pelo Nasvir são relacionadas ao desrespeito do sigilo profissional e às particularidadesda sua intervenção profissional, quando inseridos em equipe interdisciplinar. “Soma-se a esse quadro a precarização do trabalho, haja vista que na região, um expressivo número de profissionais está inserido no mercado de trabalho através de contratos temporários e com baixos salários”, completa.
 
Em relação aos desafios vivenciados hoje pelo Núcleo, estão a sensibilização e a mobilização dos profissionais, segundo aponta o atual coordenador local, Tiago Duarte. Outro ponto citado por ele é a necessidade de ocupar espaços reservados para a categoria nos conselhos de direitos e fórum de trabalhadores. “Internamente um grande desafio é unir as diversas gerações de profissionais na busca de uma categoria mais forte. Externamente vejo que outro grande desafio é a busca de reconhecimento para a categoria.”
 
Para Tiago, é preciso “sair de uma dinâmica de meros executores de políticas públicas para nos transformarmos em profissionais capacitados para atuar em qualquer posição do organograma de uma política social, tendo uma visão de transformação da sociedade em que vivemos”.
 
A maior contribuição trazida pelo Nasvir, para Tiago, é o entendimento de que o trabalho de assistentes sociais está intimamente ligado a um novo projeto societário. “Somos parte importante de uma categoria que a todo o momento é espoliada pelos interesses do projeto econômico vigente. Por trabalhar na contramão desses interesses, é necessário estarmos juntos para sermos mais fortes”, conclui.
 
Em seus 10 anos, o Nasvir foi coordenado por cinco Comissões Gestoras, sendo a primeira coordenadora local e fundadora, Maria Cândida Jannuzzi de Oliveira, e na sequência Sandra Maria Lana, Wilde Dias, Renato Lima e, atualmente, Tiago Duarte.
 
As atividades no Nasvir são divulgadas no site do CRESS-MG e também na página de Facebook do próprio NAS.

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