Desfile da Luta Antimanicomial colore avenidas de BH para reivindicar direito à cidade

Publicado em 21/05/2014

Cores. Muitas cores marcaram o Desfile da Luta Antimanicomial, realizado na segunda-feira, 19 de maio, em Belo Horizonte. Quem estava próximo das avenidas João Pinheiro e Afonso Pena, no Centro, foi contagiado pelo ato político mais irreverente da capital mineira.

Mais de mil pessoas participaram do evento, segundo a Polícia Militar. Centenas delas se deixaram levar, por um dia, pela espontaneidade e a alegria, dos ditos loucos com o objetivo urgente de contestar sobre causas que dizem respeito a toda população.

Nesta 18ª edição, a reivindicação por melhor qualidade de vida às pessoas com transtorno mental se estendeu a toda a população. Sem perder o foco do ato, profissionais, usuários e parentes de usuários da Saúde Mental saíram às ruas para pedir “A cidade que queremos – Que seja feita nossa vontade”.

O desfile fora divido em seis alas, muito bem organizadas, e que traziam as indagações dos cidadãos em relação a seus direitos básicos, como lazer, segurança e transporte público, além das demandas peculiares do ato, como o fim dos manicômios e a defesa dos serviços substitutivos aos portadores de doenças mentais.

Usuário da Saúde Mental, Allison Calixto, passou por muitos hospitais psiquiátricos, em BH, e hoje faz trabalho voluntário, no Centro de Referência em Saúde Mental/Álcool e Drogas da Pampulha, usando a prática da redução de danos. “Não troco por nada o aprendizado que ganhei passando em comunidades terapêuticas e hospitais como André Luiz e Galba Velloso. Somos seres humanos e, por isso, dignos de tratamentos humanos. Hoje sei como é importante sair às ruas para reivindicar o fim dos manicômios e do preconceito que sofremos”, comenta.

Se violar fosse verbo de violão

Conheça o samba enredo que embalou o Desfila da Luta Antimanicomial, de autoria do Coletivo Centro de Convivência Venda Nova. Clique aqui para ouvi-lo.

Revolussamba

Se essa rua fosse minha eu mandava consertar
Consertava essa cidade pro meu mundo caminhar.
A cidade, minha gente, tem muita poluição,
Não precisamos só de carro mas de metrô na estação.
Refrão
Oh, Bombrilhão! Oh, Bombrilhão!
Acaba com o preconceito e com a discriminação.
*
Não ponha corda no meu bloco, copos de leite e de flor.
Na Avenida Afonso Pena, 0 18 já chegou!
Nós vamos manifestar nossa indignação
Na cidade que queremos não cabe corrupção.
*
Se violar fosse verbo de violão,
De tão bela essa cidade teria mais criação.
Como não é, o que devemos fazer,
É acreditar no povo que luta para vencer.
*
Tempestade, tempestade, eu me encharco em você!
Mas com tanta indiferença, como vou sobreviver?
Sou amigo do Mandela e contra a segregação,
Sou filho da Praça Sete e da Praia da Estação.
*
Como em Cuba e na França, eu vou revolucionar!
Vou pôr meu samba na rua para o povo desfilar
Essa rua, ela é nossa e esse muro, ele é seu.
Eu só sei que essa história foi o povo que escreveu.

Assistentes sociais no ato!

No Dia da Luta Antimanicomial, comemorada no dia 18 de maio, é importante lembrar que a violação de direitos das pessoas com sofrimentos mentais, no Brasil, não se encontra isolada do contexto mais amplo das violações de direitos nas sociedades ocidentais. “As questões sociais são um complicador no quadro dos pacientes. Com nossa visão mais apurada para o contexto social desse cidadão, e com a equipe multiprofissional, somos capazes de um projeto terapêutico abrangente”, comenta Joana Santos, assistente social e residente multiprofissional na Saúde Mental.

A data tem origem no Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, realizado em Bauru (SP), no ano de 1987, no qual surgiu o Movimento Nacional de Luta Antimanicomial. Na ocasião, trabalhadores, usuários, familiares e estudantes foram às ruas reivindicando novas formas de tratamentos para esses pacientes: trocar a violência pela solidariedade e o confinamento pelo convívio social.

Neste ano, o tema do desfile dialoga com a campanha do CFESS, Direito à Cidade, o que demonstra a abrangência da luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental, como destaca Ludmila Pereira, assistente social do Núcleo de Atendimento a Vítimas de Crimes Violentos e membro da Comissão de Ética e Direitos Humanos do CRESS-MG. “Essa é uma bandeira que está no campo dos direitos humanos e tem a ver com o fim da segregação desses usuários, dado que, assim como qualquer cidadão, eles também merecem o acesso à cidade que queremos”, afirma.

O desfile foi realizado pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental e Associação de Usuários de Serviço de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam) e teve o apoio de diversas entidades como CRESS-MG e o Conselho Regional de Psicologia (CRP-MG).

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