Especial Consciência Negra – As cinco faces da opressão

Publicado em 20/11/2013

Em “La justicia y la política de la diferencia”, trabalho da filósofa e cientista política estadunidense, Iris Marion Young, a opressão muitas vezes se dá de maneira sutil, em nosso cotidiano. Ao indicar as formas de opressão sofrida por vários grupos, a autora destaca que os negros sofrem sistematicamente as cinco categorias elencadas.

O texto não tem tradução para o português. A seguir, leia o resumo proposto pelo entrevistado, Jair Costa Júnior, sobre as principais manifestações da opressão em uma sociedade:

  1. A exploração – Que seria a transferência dos resultados do trabalho de um grupo social em benefício de outro. Como vemos, esta é a mais nítida, o processo de opressão praticado sobre os negros permitiu ter hoje, um exército de reserva de mão-de-obra barata que alimenta uma lógica de distribuição de renda desigual. É o famigerado capitalismo, o liberalismo;
     
  2. A marginalização – Corresponde ao processo em que uma categoria de pessoas seria expulsa da participação na vida social. Este é agenciado principalmente pela mídia. Sobre este não precisamos dizer nada, assista à televisão, ao jornalismo policial e tire suas próprias conclusões, isso para não mencionar as novelas, em que o negro ainda é colocado, principalmente, em papeis de subalternos e marginalizados socialmente;
     
  3. O desempoderamento – Referente àqueles a quem o poder é exercido sem o seu respectivo exercício, sendo que eles estariam situados de modo a que fossem impedidos de tomar decisões e raramente teriam o direito de dar opiniões. Todo o processo de opressão culmina para este ponto, uma vez que parte da população que vive sem infraestrutura básica, sem acesso à saúde e à educação de qualidade não se desenvolve como um cidadão crítico, muito menos desenvolve suas habilidades e potencialidades que poderiam ser desenvolvidas em um contexto favorável;
     
  4. O imperialismo cultural – Relaciona-se ao processo em que os significados dominantes de uma sociedade se tornariam a perspectiva particular de um grupo invisível, ao mesmo tempo em que este se tornaria um estereótipo e marcado como “os outros”. Esse aspecto também é muito nítido quando observamos as manifestações culturais ou religiosas de matriz africana e o lugar que ocupam no imaginário social. Eu cresci ouvindo e acreditando que o congado pegava crianças e que o candomblé fazia magia para matar pessoas ou outras coisas ruins. Esse tratamento social da cultura negra incute no imaginário social o medo e na mesma linha supervaloriza os costumes da cultura “dominante”;
     
  5. A violência – Trata-se especificamente da violência dirigida às pessoas, por serem membros de algum grupo específico. Essa violência varia em suas formas. O olhar discriminador, o desviar de um negro na cidade ou em um bairro nobre, ou o fato de não permitir que seus filhos joguem bola com um garoto negro em um parque público, não é menos danoso para o negro que a violência de um policial em uma abordagem.

Considerando todos os mecanismos de violência utilizados por policiais quando abordam um negro nas ruas, ofensas verbais, adjetivos altamente pejorativos e a violência física que vai dos chutes nos tornozelos, para se abrir as pernas ao ponto de quase fazer uma abertura completa, aos socos e tapas na cara.

Isso, sem mencionar o racismo institucional que se observa também no extermínio e  encarceramento de jovens negros no Brasil. Essa violência é mantida por toda a sociedade quando sabemos da sua existência e a aplaudimos ao vermos aquele negro, nosso possível algoz (pois é assim que os negros são vistos), ser diminuído como forma de repressão social.

Imagem: Latuff.

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