Reflexões sobre mulher e Serviço Social fecham evento em BH

Publicado em 08/10/2013

Uma reflexão sobre o papel da mulher na construção do Serviço Social, proposta por Mirla Cisne, assistente social e professora da UFRN, fechou o Seminário Política Social e Formação Profissional, que aconteceu de 1 a 4 de outubro, em BH, e foi promovido pelo Centro Universitário UNA, em parceria com o CRESS-MG.

Na última atividade do evento, Mirla abordou o tema “Gênero, divisão sexual do trabalho e Serviço Social”, título do livro publicado por ela, pela Editora Outras Expressões (2012)

O gênero é uma questão fundadora do processo de institucionalização do Serviço Social como profissão. O primeiro-damismo é, ainda hoje, um problema enfrentado pela categoria, que tenta legitimar a profissão por um viés diferente do assistencialismo. “Muitas primeiras-damas são secretárias de assistência social. Isso demonstra o vínculo entre o que se concebe da imagem de mulher para execução e planejamento da política de assistência social, o que está relacionado com a concepção do Serviço Social”, explica a professora.

A questão da assistência sempre esteve relacionada com as mulheres, não só as da alta sociedade, mas também missionárias, religiosas, pois sempre esteve ligada com a ideia de cuidar, que é uma característica historicamente atribuída ao sexo feminino. “Falar de gênero é desnaturalizar que determinadas profissões como o Serviço Social são essencialmente femininas, além de contribuir para perceber que essas são determinações sociais e que encontram instituições que reproduzem de ideologia”, comenta.

Há uma linha no feminismo, chamado culturalista, que atribui à cultura todas as questões de subordinação da mulher e da desigualdade entre os dois sexos. Mas, para Mirla, esse pensamento é insuficiente para entender o tema. “A cultura não é determinada naturalmente. É preciso compreender quais são as relações materiais que determinam o surgimento das ideologias e das culturas, dentro de uma sociedade”, destaca.

Embora o patriarcado seja anterior ao capitalismo, é certo que ele não se estabelece apenas por uma questão cultural. A existência e persistência desse patriarcado têm uma forte base material e econômica e contribui para a manutenção da sociedade capitalista e isso não pode ser desconsiderado, como lembra a professora.

Mulheres e o Estado

Além do trabalho desvalorizado e mal remunerado, a maioria das mulheres, em suas jornadas múltiplas, não recebe pelo trabalho doméstico. “As funções que a mulher executa em casa são tidas como obrigações e não reconhecidas como trabalho. Com isso, a responsabilidade do Estado para com as expressões da questão social é deslocada para as mulheres.” Para Mirla, reconhecer esse trabalho seria uma forma de o Estado mostrar sua preocupação em dar respostas a sociedade dividida em classes e que provoca condições de vida desiguais.

Responsabilizar a mulher pela garantia da reprodução social determina também a reprodução da força de trabalho, praticamente de forma gratuita ao Estado, na lógica capitalista. A professora exemplifica esse conceito, com o cálculo que define o salário mínimo. “São levados em conta quais valores são gastos para recursos básicos de sobrevivência de um trabalhador. Mas e se o trabalho doméstico, não pago a mulher, fosse incluído nesse cálculo?”, indaga.

Feminismo e Serviço Social 

O Serviço Social surge como demanda concreta do acirramento dos conflitos da contradição entre capital e trabalho e expressão politizada das desigualdades sociais. Entretanto, ele não está inserido apenas na divisão social e técnica do trabalho, mas também da divisão sexual do trabalho, como indica Mirla. “O problema não é o Serviço Social ter predominância de mulheres, e sim, a lógica patriarcal que rotula e desvaloriza profissões tidas como femininas”, afirma.

O feminismo começou a ser debatido pelos assistentes sociais na década de 1990, mas ainda não é abordado como deveria, como aponta Mirla, nas palavras de Marilda Iamamoto. “Se a imagem predominante da nossa profissão é indissociada de certos estereótipos socialmente construídos sobre a imagem da mulher, na visão tradicional e conservadora de sua inserção na sociedade, o processo de renovação do Serviço Social é também tributário da luta pela emancipação feminina.”

Se o Serviço Social é composto majoritariamente por mulheres, a carga de subalternidade, preconceito e desprestígio social que o universo feminino sofre, óbvio que se reflete também na profissão. Portanto, a luta pela valorização das mulheres na sociedade, promove, intrinsecamente, uma renovação dentro do próprio Serviço Social. “Entender gênero é indispensável para a compreensão do exercício profissional e também do nosso público usuário, composto em maioria por mulheres”, destaca.

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