O veneno está na mesa

Publicado em 18/10/2011

O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. Consequentemente, também somos os maiores consumidores desses insumos. Cada brasileiro ingere, por ano, uma média de 5,2 litros de agrotóxicos nocivos à saúde! Esses são alguns dos dados apresentados no documentário “O veneno está na mesa”, que integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, de abrangência nacional. O lançamento do filme aconteceu no dia 10 de outubro, em Belo Horizonte. O CRESS-MG esteve presente e conversou com o cineasta e diretor Silvio Tendler (foto). Além dele, foram entrevistados profissionais envolvidos com o movimento contra os agrotóxicos.

O cineasta carioca nos conta que a inspiração para realizar “O veneno está na mesa” surgiu após uma conversa informal com o jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano. Foi por ele que Tendler soube que o Brasil era o maior consumidor de agrotóxico do mundo e que a situação estava devastando não só a natureza como a saúde dos cidadãos. Após ouvir atento às informações do colega, o cineasta viu no tema um bom motivo para realizar um documentário. “Combater o uso dos agrotóxicos é uma ação de legítima defesa das nossas vidas”. Ele chama a atenção para o absurdo que é esse mercado no mundo, lembrando que os agrotóxicos utilizados nas lavouras brasileiras são proibidos nos países que os produzem. Tendler diz que o governo precisa deixar de conceder incentivos fiscais aos agrotóxicos e investir mais em pesquisas na área de agroecologia. Para ele, o cinema é uma arma que atinge boa parte da população. “Certamente, a maioria das pessoas que vai ao cinema, são vítimas desses venenos”. Outra arma a favor dessa luta contra os agrotóxicos – e de tantas outras lutas de movimentos sociais – é a internet. Prova disso, são as quase 40 mil visualizações que “O veneno está na mesa” teve no You Tube. O filme de 50 minutos pode ser visto através do link www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg.

Envenenando-se

Abacaxi, morango, tomate e pimentão são os alimentos que mais recebem insumos prejudiciais à saúde, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O pimentão, por exemplo, chega a ter 80% de sua composição contaminada! E não adianta lavá-los ou fervê-los, pois essas substâncias penetram nos alimentos. No Brasil, a maioria dos agrotóxicos utilizados nas plantações é proibida. Alguns contêm, inclusive, substâncias usadas para matar ratos e baratas. Beatriz Carvalho, assessora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais (CRN/MG), explica que a relação entre os agrotóxicos e a nutrição vai além da defesa de uma boa alimentação em detrimento do consumo de alimentos infectados por esses insumos. “Quando falamos em alimentação adequada, não diz respeito apenas ao sentido nutricional, mas também adequada à cultura das pessoas e ao meio ambiente”.

Agroecologia

Mesmo com o atual modelo de agricultura no Brasil sendo dominado pelas multinacionais e pelo uso desenfreado de insumos, nem tudo está perdido. A principal alternativa para reverter essa situação é a agroecologia. O integrante da Articulação Mineira de Agroecologia (AMA), Márcio Camargo, explica que a prática se refere ao uso do solo de forma a respeitar a natureza e combater a destruição provocada pela agroindústria. “Diferente da agroquímica, a agroecologia defende formas de produção que respeitem o meio-ambiente, sem o uso de agrotóxicos, agroquímicos e máquinas pesadas”.

Sobre o “O veneno está na mesa”, o membro da AMA diz que o documentário é um alerta para o que vem acontecendo no país. “A principal reflexão que o filme traz é sobre o atual modelo brasileiro de desenvolvimento do campo, no qual extensas áreas de monocultura têm demonstrado insustentabilidade”. Camargo, esse assunto não é novo. “Muitas ONGs, sindicatos e outras instituições abordam o tema há décadas, mas após receber, por dois anos seguidos, o triste título de país que mais consome agrotóxicos no mundo, essas organizações se viram diante de um novo desafio: unificarem-se para pensar em estratégias que possam combater essa gradativa destruição da vida". Além disso, o uso de agrotóxicos já não é preocupação apenas do meio rural, mas também dos grandes centros urbanos. Por conta disso, diversas pesquisas estão sendo geradas para levantar dados. “Essa campanha não é apenas ideológica, mas traz uma realidade concreta de como está o sistema produtivo no Brasil e o consumo de agrotóxicos pelos cidadãos”, exalta Camargo.

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