Mulheres Negras, Pobreza e Racismo: neste 8M, o CRESS-MG tem um artigo especial pra você!

Publicado em 09/03/2023

Escrever sobre gênero, raça e pobreza é um desafio imenso. São questões que se entrelaçam, envolvem aportes teóricos e abordagens fundamentais para compreender suas consequências na sociedade de classe. É imprescindível relacionar o significado da pobreza, sua associação com o racismo e as relações de gênero instituídas na sociedade. Assim, trata-se de uma expressão da questão social, que revela as relações sociais vigentes e, portanto, sujeitas a ações efetivas do Estado para o seu combate.

Ao abordar a classe trabalhadora é necessário compreender a existência de intersecções que a dividem e ocultam as desvantagens vivenciadas. Entre outras, a existência do racismo e sua negação enquanto agente estruturante das relações sociais, legitima as injustiças. Embora atinja a classe enquanto explorado socialmente pelo sistema, a estrutura vigente recai integralmente sobre o povo negro mantendo os índices de desigualdades. Dessa forma, a sociedade brasileira mantém o privilégio branco: mesmo no contexto de desigualdade de classe são mantidas as desvantagens do povo negro.

O racismo estabelece a inferioridade social dos segmentos negros da população em geral, e das mulheres negras em particular, operando como fator de divisão na luta destas pelos privilégios instituídos para as mulheres brancas. 

Sueli Carneiro, em seu livro “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil”, pontua que o racismo estabelece a inferioridade social dos segmentos negros da população em geral e das mulheres negras em particular, operando ademais como fator de divisão na luta das mulheres pelos privilégios que se instituem para as mulheres brancas. Nessa perspectiva, a luta das mulheres negras contra a opressão de gênero e de raça, vem desenhando novos contornos para a ação política feminista e antirracista, enriquecendo tanto a discussão da questão racial, como a de gênero na sociedade brasileira. (CARNEIRO, 2015, p.3)

Ainda de acordo com reportagem do jornal El País, as mulheres pretas ou pardas continuam na base da desigualdade de renda no Brasil. No ano passado, elas receberam, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país. Atrás deles, estão as mulheres brancas, que possuem rendimentos superiores não apenas aos das mulheres pretas ou pardas, como também aos dos homens pretos ou pardos. Os dados fazem parte da pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Dados de indicadores sociais disponíveis, demonstram que a cultura do estupro e da violência de gênero atingem principalmente a mulher negra. Assim, todos os dados colocam as mulheres negras no topo das “desvantagens”, econômicas, sociais e políticas no sistema capitalista. A partir dessa análise, é essencial continuar a luta cotidiana para eliminar os obstáculos históricos, socioculturais e institucionais, que impedem a representação da diversidade étnica nas esferas pública e privada.

Ser mulher negra no Brasil é ser guerreira, sinônimo de luta, de utilizar todas as forças no combate à discriminação e às desigualdades em todas as suas manifestações individuais, institucionais e estruturais. Temos em nossa ancestralidade Lélia Gonzalez, Rute de Souza, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mariele Franco. Mas principalmente milhares de mulheres negras anônimas que também nos deixaram, vítimas da violência policial, da pobreza, da miserabilidade, da violência doméstica, enfim dos efeitos do racismo e seus correlatos. 

Profª Drª Maria Cristina de Souza 

Assistente social, docente do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e coordenadora do Programa de Extensão Temas Raciais. Além disso, é autora do livro recém-lançado “Mulheres Negras, Pobreza e Racismo”, da Editora Letramento.

Conheça mais sobre o CRESS-MG

Informações adicionais
Informações adicionais
Informações adicionais

SEDE: (31) 3527-7676 | cress@cress-mg.org.br

Rua Guajajaras, 410 - 11º andar. Centro. Belo Horizonte - MG. CEP 30180-912

Funcionamento: segunda a sexta, das 13h às 19h


SECCIONAL JUIZ DE FORA: (32) 3217-9186 | seccionaljuizdefora@cress-mg.org.br

Av. Barão do Rio Branco, 2595 - sala 1103/1104. Juiz de Fora - MG. CEP 36010-907

Funcionamento: segunda a sexta, das 13h às 19h


SECCIONAL MONTES CLAROS: (38) 3221-9358 | seccionalmontesclaros@cress-mg.org.br

Av. Coronel Prates, 376 - sala 301. Centro. Montes Claros - MG. CEP 39400-104

Funcionamento: segunda a sexta, das 13h às 19h


SECCIONAL UBERLÂNDIA: (34) 3236-3024 | seccionaluberlandia@cress-mg.org.br

Av. Afonso Pena, 547 - sala 101. Uberlândia - MG. CEP 38400-128

Funcionamento: segunda a sexta, das 13h às 19h