Visibilidade Trans: CRESS-MG homenageia duas grandes mulheres da luta trans, falecidas em 2021

Publicado em 28/01/2022

Aos sete anos, Anyky já demonstrava ser “diferente”. Os trejeitos “afeminados” fizeram com que fosse discriminada por sua família e, aos doze, foi expulsa de casa. Num país até hoje conservador e moralista, a prostituição é um dos únicos caminhos que se apresentam para mulheres trans terem seu sustento. Com Anyky não foi diferente. Foram 50 anos na prostituição.

Ainda jovem, se mudou do Rio, sua cidade natal, para o Espírito Santo até se firmar na capital mineira, onde viveu até sua morte, aos 65 anos, por câncer, em abril passado. Aqui, virou referência na luta pelos direitos de pessoas transgênero, sobreviveu à Ditadura Militar e à epidemia do HIV. Sua militância se dava nos diversos espaços políticos, mas também nos bastidores do seu dia a dia.

Anyky era genuinamente boa e sentia necessidade em ajudar, especialmente a quem, como ela, sofria com a falta de dignidade e de acesso a direitos apenas por serem quem são: a comunidade LGBTQIA+. Representante mineira da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e presidenta do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos/MG), sua trajetória e legado contribuíram e continuam vivos na luta trans!

Cidadania trans e Seviço Social

Rhany queria mudar o mundo a sua volta. Moradora do Morro das Pedras, favela de Belo Horizonte, se interessou desde cedo pela melhoria de vida da sua comunidade. Mulher negra e transexual, levantava a bandeira pelos direitos LGBTI e era figura querida nos movimentos sociais que frequentava.

Estava cursando Serviço Social com o objetivo de materializar, através da profissão, o sonho de uma sociedade mais justa para todas, todes e todos. Em janeiro de 2019, Rhany recebeu o CRESS-MG em sua casa para falar sobre o “nome social”, importante conquista da população trans, na qual o Serviço Social foi a primeira profissão, no Brasil, a adotar no registro profissional.

Em maio passado, a jovem de 34 anos, faleceu vítima da Covid-19. Mais uma importante figura das lutas sociais perdida pelo projeto genocida de nossos governantes. Ela queria mudar o mundo a sua volta. E por onde passou, certamente plantou uma semente para que essas mudanças florescessem.

Na semana em que se comemora o Dia da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, o CRESS-MG homenageia essas importantes figuras, lembrando que no país que mais mata pessoas trans, é dever das e dos assistentes sociais, “exercer o Serviço Social sem sofrer discriminação nem discriminar por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física”, conforme preconiza o Código de Ética.

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