Elas sim! A resistência das mulheres frente aos retrocessos do momento atual

Publicado em 07/03/2019

O movimento feminista nunca foi tão popular como nos dias de hoje. Se a sociedade patriarcal nos limitou, historicamente, ao espaço doméstico como forma de silenciar a nossa voz e de explorar nossa força de trabalho, cada vez mais mulheres vão percebendo que o lugar delas é onde elas quiserem. E as ruas, em luta, têm sido um desses lugares.

Em 2016, as brasileiras protagonizaram atos que ficaram conhecidos como a Primavera das Mulheres, contra a cultura do estupro e os retrocessos nos direitos conquistados. Durante as eleições do ano passado, elas deixaram de lado as divergências políticas e ideológicas e mobilizaram, em todo o país, manifestações pela democracia e contra o fascismo.

O protagonismo feminino em lutas que dizem respeito a toda população tem seu motivo. Quando se estabelecem, as crises políticas e econômicas incidem com mais intensidade na vida das mulheres, como explica a socióloga e militante do Levante Popular da Juventude, Fernanda Maria Caldeira.

“Ao fazer uma análise de conjuntura é preciso considerar que cada aspecto incide de forma diferente na vida das mulheres e dos homens. Quando nos posicionamos reivindicando direitos que são da população em geral, como terceirização, reforma da previdência, aumento da jornada de trabalho, estamos nos posicionando sobre nossa exploração”, aponta.

Os atos que surgiram em 2018, de acordo com Fernanda, vieram também para combater o discurso opressor e explorador que transfere exclusivamente às mulheres uma obrigação que deveria ser também do Estado que é a de cuidado tanto de crianças, como de doentes e pessoas idosas.

“Este não é um dever apenas nosso. Por isso, é preciso lutar pela criação de creches e de educação infantil públicas, assim como restaurantes populares e tudo o que acaba recaindo sobre as mulheres. Além disso, queremos poder viver nossas próprias vidas, sem sermos culpabilizadas pelas violências que sofremos”, afirma.

Organizar para sobreviver

O golpe que tirou do poder a primeira presidenta mulher do Brasil, em 2016, foi o pontapé inicial para uma série de retrocessos que atingiram a classe trabalhadora e, em especial, as mulheres. O cenário atual, de recrudescimento do conservadorismo e, agora, com traços fascistas, indica que unificar e se organizar serão questões de sobrevivência para as mulheres.

Medidas como o Programa Escola sem Partido, que intimida ou mesmo censura o debate de conceitos que desenvolvam o pensamento crítico de estudantes do ensino médio e fundamental, impedirão que temas como a violência de gênero sejam debatidos nas escolas, podendo levar a um aumento na impunidade a agressões sexuais, físicas e psicológicas das meninas e adolescentes, como avalia Fernanda.

“Discutir na escola que meninos não devem bater em meninas ou que meninos não podem violar o corpo de meninas pode ser vetado, pois se enquadraria em ‘ideologia de gênero’. Os defensores da iniciativa alegam que esses assuntos deveriam ser tratados dentro de casa, ignorando que a escola cumpre um papel importante na educação das crianças e adolescentes”, comenta.

Além disso, a militante lembra que a maior parte das violências de gênero, como a doméstica ou sexual, se dão no espaço doméstico, sendo os agressores, parentes ou pessoas próximas da vítima. Desta forma, sem o apoio e a orientação no ambiente escolar, as meninas assediadas ficarão sem ter a quem recorrer.

Frente a tantos obstáculos impostos pelo momento atual, Fernanda acredita que as mulheres organizadas, ou seja, que integram movimentos sociais, devam entender que a unidade política, neste momento, é uma questão de sobrevivência. Já para quem ainda não milita, a orientação segue a mesma lógica: organize-se coletivamente.

“Sabemos que os discursos anti-esquerda estão cada vez mais agressivos. Se a gente se isola, não teremos forças suficientes para enfrentar os retrocessos. Na unidade, às vezes precisamos dar um passo atrás no que achamos certo para estarmos em conjunto, pois não adianta estar à frente, mas sozinha”, considera.

Para Fernanda, também é necessário ser propositiva, apesar da conjuntura pouco favorável a melhorias na vida das mulheres. Como exemplo, ela cita o caso das argentinas que, ao longo de 2018, mesmo com o governo neoliberal do presidente Maurício Macri, se mobilizaram para que o aborto fosse legalizado.

“A medida foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas acabou sendo barrada no Senado. Ainda assim, a pauta mobilizou mulheres de dentro e fora do país, colocando o assunto em debate. Independente do cenário político, não podemos deixar de propor mudanças. Isso também é resistir!”, afirma.

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