Assistentes sociais em combate ao racismo foi tema de debate em BH

Publicado em 10/12/2018

Para seguir em frente é preciso lembrar do que já foi vivido. Esta é a mensagem transmitida pela Sankofa, símbolo presente em algumas culturas africanas, representado por uma ave que caminha com a cabeça virada para trás. Valorizar  a ancestralidade e entender como o passado de escravidão reflete nos dias atuais são alguns dos objetivos do Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.

A fim de dar visibilidade a esta pauta e lançar a campanha de gestão do Conjunto CFESS-CRESS (2017-2020), “Assistentes sociais no combate ao racismo”, o CRESS-MG promoveu um debate, no dia 22 de novembro, no Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), em Belo Horizonte, e veiculado ao vivo, pelo Facebook. Entre as convidadas, estava a coordenadora do espaço, Makota Celinha.

Alinhada ao pensamento da esquerda, a militante observa que a questão negra gera conflitos até mesmo dentro do próprio movimento: “Sou da época em que se falava em acabar com o racismo com a luta de classes e até hoje vemos resquícios dessa ideia. Quando se fala em racismo, não se trata apenas de poder, mas de ódio ao que é diferente. É preciso educar novas cidadãs e cidadãos”.

Uma das principais expressões da discriminação racial na atualidade, segundo Makota, é o aumento dos episódios de intolerância religiosa no país. “Todas as formas de rezar estão voltadas para um ser superior, mas, por que o que a minha é banalizada? Na verdade, o que realmente incomoda é o fato dessas religiões serem de origem africana”, avalia.

Considerando a relevância e a urgência em reparar os danos históricos causados às negras e aos negros, a militante lembra que as demandas dessa população devem ser abordadas permanentemente, não apenas nesta data que, como ela brinca, é o “Dia da Paciência Negra”, quando intelectuais e militantes se desdobram para atender as infinitas pautas que surgem, mas que não voltam a ser tratadas ao longo do ano.

Sobre os desafios que o ano de 2019 trará, Makota ressalta que é preciso sair do ativismo virtual e, no caso das pessoas não negras, é urgente reconhecer seus privilégios e lutar lado a lado com o povo preto: “É preciso ocupar os espaços ou ficaremos apenas no ativismo virtual. Lembro, ainda, que só teremos uma sociedade equânime quando brancas e brancos assumirem que usufruem, hoje, daquilo que negras e negras construíram no passado”, pontua.

 

Antirracismo  

 

Na formação econômica do Brasil, o capitalismo e o racismo estão diretamente relacionados, e só é possível combater um ao combater o outro também. A própria escravidão foi fundamental para concentrar o capital na mão de uma elite, situação que se perpetua nos dias de hoje.

Entender isso é essencial para se tomar uma postura antirracista, como avalia o presidente da Unidade Popular (UP) e da Coordenação Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Leonardo Péricles, citando a filósofa Angela Davis: “Em um país racista, não basta não ser racista, mas assumir práticas que demonstram apoio à luta da população negra”.

As opressões vivenciadas cotidianamente por mulheres e homens negros também exigem que alguns temas, amplamente tratados pela classe média branca, sejam repensados de acordo com a realidade dessas pessoas, em especial aquelas que vivem nas periferias, como avalia Péricles, que há sete anos vive em uma ocupação da capital mineira.

“No período eleitoral, a esquerda tratou do fascismo, conceito que sempre foi experienciado pelo povo negro, como se fosse algo novo. Da mesma forma, muito se falou que o país estaria prestes a perder seu estado democrático de direito, se esquecendo que para negras e negros que vivem nas favelas essa democracia nunca chegou”, considera.

Sobre a conjuntura atual, o militante acredita que após quase quatro séculos submetidas e submetidos à escravidão, além de sobreviver a duas ditaduras, as brasileiras e brasileiros sintonizados com a melhoria do país não sucumbirão diante dos retrocessos.

"Não podemos nos dar por vencidas e vencidos. A classe trabalhadora vai continuar fazendo greve, as mulheres que atingiram esse nível de reconhecimento e de luta não vão recuar e deixar os machistas tomarem conta. Da mesma forma, a população negra que hoje tem mais direitos e visibilidade não permitiremos racistas falarem e ficarem impunes”, pondera.

Na mesa, também estavam a professora do curso de Serviço Social do Centro Universitário Unihorizontes, Suênya Almeida, e o conselheiro do CRESS-MG e coordenador da Comissão de Educação da instituição, José Ribeiro. Além de assistentes sociais, estiveram presentes militantes do movimento negro e moradoras e moradores de ocupações de Belo Horizonte. Na internet, o evento alcançou mais de sete mil visualizações, e pode ser acessado aqui.

 

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