Visibilidade trans em foco – professora e transexual, sim!

Publicado em 01/02/2012

Em 29 de janeiro, comemoramos o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data foi instituída em 2004, pelo Ministério da Saúde, com o intuito de reforçar a importância do respeito às diferenças. Para refletir quanto à data, realizamos uma entrevista com a professora transexual, Sayonara Nogueira.

Natural de Uberlândia, ela foi a primeira transexual a ser atendida pela Resolução 8.496/11, publicada no dia 15 de outubro de 2011, em Minas Gerais, pela Secretaria de Estado do Planejamento e pela Secretaria de Gestão e de Desenvolvimento Social, e que permite às/aos travestis e transexuais do Estado serem identificados com o nome social, no âmbito da administração pública direta e indireta. Isso significa que é possível utilizar em documentos, como folha de pagamento e livro de ponto, o nome referente ao modo com que essas pessoas preferem ser reconhecidas e identificadas em seu meio social.

No âmbito do Serviço Social, o Conjunto CFESS/CRESS, em setembro do ano passado, publicou uma resolução que permite aos/as assistente sociais travestis e transexuais o uso do nome social na carteira e na cédula de identidade profissional. Confira aqui essa resolução.

Você foi a primeira transexual a ter o nome social reconhecido em documentos referentes à sua vida funcional, como a folha de pagamento. Quais fatores te levaram a essa conquista?

Assim que foi publicada a resolução, fui atrás dos meus direitos. Levei fotocópias aos diretores das duas escolas onde atuo e eles viram isso como uma conquista do segmento. Contudo, os profissionais da SRE (Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia) desconheciam tal resolução, demonstrando surpresa. Uma das instituições mudou prontamente meu nome social no livro de ponto e a outra aguardou a autorização da inspetora, que achou prudente esperar a resolução ser publicada no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais. Mas após esse período, tudo se ajeitou.

O nome social é uma luta antiga do segmento trans e travestis, pelo fato de que sem seu reconhecimento legal, somos constantemente constrangidas/os em locais públicos ao sermos chamadas/os pelo nome do registro civil. Penso que a conquista é de todas/os, pois a luta foi grande até chegarmos aqui.

O que mudou na sua vida após essa resolução?

Ainda existem colegas de trabalho que fazem piadinhas se dirigindo a minha pessoa pelo gênero masculino. Mas hoje, com a resolução, especialmente na minha vida profissional, tudo muda, o respeito aumenta, as pessoas começam a te observar de forma diferente, pois existe uma lei que te protege. Aumenta-se a inclusão social, principalmente dentro da escola, que é impermeável e ainda homofóbica.

Por conta dessa medida, você acabou ganhando destaque na mídia. Quais as vantagens e desvantagens dessa exposição?

A vantagem foi justamente a visibilidade que ganhei, pois assim pude demonstrar que travestis e transexuais não estão destinadas/os somente à prostituição. Podemos ocupar outros espaços da sociedade e do mercado formal de trabalho. Condição sexual e profissionalismo não se misturam. Não vejo nenhuma desvantagem no destaque na mídia, uma vez que passei a ser mais respeitada.

Como a sua trajetória e a luta na defesa de seus direitos influenciam a forma com que você ensina aos seus alunos?

Sou professora de história e geografia nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio. Trabalho conforme o Currículo Básico Comum, os programas do ENEM, PAAES (Programa de Ação Afirmativa de Ingresso no Ensino Superior) e UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Se algum conteúdo puxa gancho para que eu possa abordar a luta pelos direitos LGBTs, não deixo de mencionar, da mesma forma que menciono a luta dos negros, das mulheres e dos índios. Contudo, evito a apologia, pois posso sofrer algum tipo de retaliação e, além disso, não posso esquecer minha formação, que é a licenciatura nessas duas áreas.

Enfim, o que procuro é mostrar aos meus alunos que somos seres humanos e todos iguais, independente da cor, raça, religião, etnia ou comportamento sexual, que todos devem ser respeitados perante a diversidade que vivemos. E ressalto que hoje existem políticas públicas que tratam e punem as formas de discriminação existentes.

De que forma você, como professora, acha que a educação infanto-juvenil pode contribuir para a formação de adultos mais conscientes e menos preconceituosos?

Através da educação para a cidadania, para a diversidade cultural e sexual, pois assim terão uma base de compreensão menos preconceituosa e mais inclusiva.

Na sala de aula, como você promove essa conscientização?

Quando as temáticas LGBTs são discutidas na sala de aula, eu as direciono para uma visão mais ligada à sociologia, por meio de oficinas pedagógicas e dinâmicas de grupo. Tento fazer um vínculo entre mim e os alunos, para que possamos nos sentir à vontade ao tratar do assunto e expressar as orientações assimiladas. Em relação ao material didático, busco informações em sites de confiança e acadêmicos, e nos programas Brasil Sem Homofobia e PEAS Juventude (MG), no qual sou coordenadora.

Quais são as próximas conquistas que você almeja?

Continuar meus estudos. Eu pretendo fazer uma pós-graduação em Inspeção Escolar e Supervisão Escolar, mas ainda estou na luta por uma bolsa de estudos – por conta do salário deficitário dos professores. Sou pré-candidata a vereadora pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), em Uberlândia. Mas o que mais desejo é a cirurgia da troca de sexo, para a qual já faço tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), esperando assim pela intervenção.

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