Realidade dos canaviais

Publicado em 16/11/2011

Na última sexta-feira, 11, o professor de ciências econômicas da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Adriano Pereira Santos, veio à sede do CRESS-MG para lançar seu livro “Usinagem do capital e o desmonte do trabalho”. O evento marcou a segunda edição do Seminário da Expressão Popular, organizado pelo CRESS-MG, Curso de Serviço Social do Centro Metodista Izabela Hendrix, Curso de Serviço Social do Centro Universitário UNA, Diretórios Acadêmicos de Serviço Social do Centro Metodista Izabela Hendrix, Centro Universitário UNA e PUC Minas, Editora Expressão Popular e ENESSO. Conversamos com o autor sobre a sua obra.

O livro é resultado de uma pesquisa de mestrado feita em Sertãozinho, interior de São Paulo. A região é um dos principais pólos da indústria sucroalcoleira (cana-de-açúcar) no Brasil. Durante a década de 1990, o professor analisou os impactos objetivos e subjetivos que a reestruturação da empresa de equipamentos pesados, Zanini, gerou na cidade. A companhia foi a locomotiva econômica da região e chegou a empregar mais de 5 mil metalúrgicos em uma única unidade produtiva. Em 1992, antes de se fundir à sua maior rival, Danini, a empresa contava com cerca de 200 funcionários apenas. Hoje em dia, passada a crise, a cidade está funcionando novamente a todo vapor. A expansão da indústria canavieira, que tem acontecido em todo o país, voltou a mover, também, Sertãozinho. Mas para chegar nesse ponto, a cidade passou por uma dura reestruturação – paralela ao tempo de vida da empresa Zanine, e que até hoje deixa sequelas nos moradores. Adriano, que hoje é doutorando em sociologia da Universidade de Campinas (Unicamp), já foi operário de uma das várias companhias que se formaram por conta da exploração canavieira da região e, por isso, sentiu na pele todas as fases desse processo.

Motivação

O que motivou as pesquisas do professor é o fato de ter convivido de perto com a realidade devastadora a que estão submetidos os trabalhadores dos canaviais. “Minha mãe cortou cana durante 25 anos de sua vida. Hoje, ela tem problemas de pele por conta do sol e das cicatrizes dos cortes que a folha da cana provoca. Além, é claro, do desgaste físico”. Adriano conta que as condições de trabalho eram desumanas. “Via minha mãe acordando às 3h da manhã e só voltava à noite para casa, exausta”.

Desde o início da colonização portuguesa, no século XVI, a cana-de-açúcar já era sinônimo de riqueza e exploração. Claro, riqueza para poucos como resultado da exploração de muitos. Para o professor Adriano, esse paradoxo ainda predomina nos dias de hoje. “Fatores como terras de baixo custo, o etanol mais barato do mundo e a posição geográfica do Brasil, têm promovido uma participação cada vez maior do capital estrangeiro para a manutenção desse sistema”.

Após o lançamento oficial do livro, em outubro de 2010, Adriano passou a investigar o setor sucroenergético e sucroalcoleiro em suas múltiplas dimensões. As pesquisas giram em torno de uma crítica ao modelo de desenvolvimento econômico apoiado pelos dois últimos governos. “Esse modelo que é tido como sustentável, por produzir energia limpa e renovável, trata-se, na verdade, da reposição de uma relação de dependência, estabelecida desde a colonização do Brasil. Nesse sistema, os latifundiários detêm o poder da terra”. Mostrar a situação desses trabalhadores canavieiros nesse processo de expansão é o objetivo do próximo trabalho de Adriano.

O livro “Usinagem do capital e o desmonte do trabalho”, da Editora Expressão Popular, custa R$ 20 e pode ser comprado pelo site: www.expressaopopular.com.br.

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