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O desejo por liberdade marca o desfile da Luta Antimanicomial em BH

Ao som do samba-enredo "Não me calo nem no pranto", centenas de trabalhadoras/es e usuárias/es da Saúde Mental saíram hoje, 18 de maio, às ruas de Belo Horizonte, para marcar o Dia da Luta Antimanicomial. A escola de samba “Liberdade ainda que tam tam” comemora, em 2017, vinte anos dessa luta lúdica por uma sociedade sem manicômios. O CRESS-MG esteve presente no ato e registrou alguns dos momentos.

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Vozes

Integrantes da residência multiprofissional do Instituto Raul Soares, de Belo Horizonte, Raiana Medeiros, psicóloga, Léa Siqueira, assistente social, e Helen Dias, terapeuta ocupacional participaram do ato, pois acreditam na liberdade para o público usuário da Saúde Mental.

“O louco não foi feito para viver preso, mas sim em sociedade. Além disso, é preciso repensar o próprio conceito de louco, não pensando nisso apenas de uma forma pejorativa, mas como uma forma diferente de se viver”, comenta Raiana.

Ao ser perguntada sobre o que é a loucura, Léa diz que “loucura mesmo é não reconhecer que o louco é sujeito de direitos e precisa ser inserido na sociedade!”. Em sua fantasia, Roberto Soares, redutor de danos do Consultório de Rua, pendurou duas bonecas no pescoço simbolizando as e os bebês que são retirados de suas mães usuárias de álcool e outras drogas, como prevê as polêmicas recomendações do Ministério Público.

“Assim como os loucos, essas mães estão tendo seus direitos violados, por isso resolvi trazer esse tema para marcha. Esta é uma medida ineficaz. A literatura trata da reincidência dessas mulheres que engravidam vez após outra, assim que têm seu primeiro ou primeira filha retirada delas. Essa situação é análoga à loucura. A saúde mental dessas mães fica comprometida”, pontua.

O ato começou na Praça da Liberdade e seguiu dando o ar da graça, e emocionando quem estava por perto, até a Praça da Estação. Militante da causa, a psicóloga Rosimeire Silva, falecida na última semana, foi homenageada durante todo o desfile com cartazes e faixas. O evento também teve diversas demonstrações de rechaço ao ilegítimo governo de Michel Temer.